quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Era uma cena rara de se ver, Helena, apreciando a perfeição e o lado místico do horizontal, é fato, algumas pessoas realmente não conseguem ver beleza em qualquer coisa já vista, Helena achava belo, achava único, cada momento em que sua mente estava tranqüila, e como era difícil sua mente estar tranqüila, acredito que os cigarros que conseguia com Alfredo, vendedor de batatas, muito conhecido por vários crimes pequenos, machistas e estranguladores, tranqüilizavam um pouco sua mente. Apesar do currículo lamentável, Helena realmente precisava de cigarros, e para ela, todos os crimes cometidos por Alfredo tinham explicação, motivo, razão e cigarros, é necessário eu comentar que cada cigarro pedido, vinha junto com socos, pontapés e humilhação em frente aos amigos de sinuca e prostituição de Alfredo, isso nunca foi um problema para Helena, que foi violentada a vida inteira, isso é, foi violentada por 16 anos, e essa violência toda nunca afetara muito sua vida, segundo ela “ ...A dor física é tão irrelevante que eu prefiro apanhar, ganhar meus cigarros e sentar no mirante apreciando o horizontal, o mundo espera que eu fique deitada em qualquer banco, sem nada para fazer, sem cigarros, o que realmente, me assusta, hoje em dia é minha mente que maltrata, sempre pesada, é difícil e único eu acordar sem sentir qualquer peso, qualquer dor ou qualquer coisa que me irrite bombardeando minha mente...”
Helena morava na casa de sua Tia, a Sra. Hugdenspall, completamente artística, completamente louca, e essa loucura não encantava mais Helena, por isso seu verdadeiro lar era um banco, um banco escondido por um beco escuro na cidade de Westbrok, cidade pequena, acolhedora e completamente fechada a novidades. Na pequena Westbrok, Helena era conhecida como “a pobre e delinqüente Helena”, mas poucos sabiam quanto era nobre o sangue da jovem, nobreza essa, levada embora assim que seus pais morreram e ela teve que morar com a Sra. Hugdenspall, que acabou por ficar com todo o dinheiro da família, mesmo não podendo movimentar tanto assim, já que Helena usava roupas de segunda mão, estava quase sempre sem sapatos, não estudava e passava grande parte do dia sentada em cima do muro da casa de sua tia, observando as pessoas e criticando cada uma apenas com o pensamento, até porque, não era a cara dela ferir alguém com um ponto de vista.

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